[Black Metal em Curitiba] dos anos 1990 até a atualidade – Parte III: Anos 2000 (ato I)

Na primeira e segunda parte, esse artigo foi desenvolvido acerca das origens do Black Metal em Curitiba nos anos 1990.

Nos anos de 2000, ocorreu um boom na cena de metal extremo em Curitiba, perceptível pela quantidade de bandas que surgiram e variedade de sonoridades exploradas. Em geral, as primeiras bandas de Black Metal do final dos 1990 estão atreladas a tal despontar – caso claro de bandas como a Evilwar, que surgiu pela saída de membros da Murder Rape.

Outro fator está atrelado aos muitos músicos da cena, que permearam entre várias bandas durante os anos 2000, mixando diversas influências sonoras em vários grupos e gêneros. A cena Curitibana já era referência nos anos 1990 e, nos anos 2000, houve uma consolidação de tal tendência.

Entre os fatores importantes para tais mudanças está o caso de maior comunicação da cena local com o exterior, a superior facilidade de conseguir materiais, conhecimento de novos sons desenvolvidos, novas bandas e contatos.

Neste período, a Internet virou um elemento de peso, possibilitando a flexibilização de formas de relações e facilidade de informação. Este ponto modificou muito as formas que a cena era desenvolvida e, claro, na sonoridade e na estética das bandas. Como são muitas bandas para discorrer, resolvi separá-las para melhor organização e desenvolvimento de análise, mas sem apartar do todo que consiste a cena.

Evilwar

Uma das primeiras e mais importantes bandas para identificar essa nova era, além de ser indispensável no contexto, é a Evilwar. Fundada por três ex-membros do Murder Rape: Ichthys Niger (ex-Murder Rape), Azarack (ex-Murder Rape, ex-Insane Devotion) e Sabatan (ex-Murder Rape), além de Nahtaivel (Eternal Sorrow, Great Vast Forest, Nahtaivel) e Typhon Seth; consistia em um Black Metal relacionado à sonoridade de Death Metal, com estética claramente influenciada pelas bandas da segunda onda de Black Metal.

Evilwar: “Unholy March”, álbum de 2001.

O primeiro álbum, “Unholy March” de 2001, lançado pela Somber Music, é extremamente bem produzido, com composições referenciando sonoridade híbrida entre Black Metal e Death Metal, característica perceptível com as mudanças de guturais graves e agudos de Sabatan.

A bateria é bastante técnica e precisa, além de riffs originais em estruturas cadenciadas, explorando bem tempos médios e rápidos. Com algumas mudanças na formação inicial – caso da saída Nahtaivel e entrada de Haborym na segunda guitarra –, a Evilwar fez shows em diversos estados. Já em 2002, Haborym sai da banda juntamente com Azarack – este volta ao Murder Rape –, sendo ambos substituídos por Halphas.

Em 2004, é lançado o autointitulado Evilwar, explorando uma sonoridade mais rápida em tempos e uma produção um pouco mais suja. Já em 2004 e 2005, Sabatan e Typhon Seth saem da Evilwar; Halphas começa a exercer os papéis de guitarrista e vocalista, além da entrada de Shaitan no baixo (atualmente no Doomsday Ceremony). A Evilwar torna-se um power trio, com a formação quel abriu o show do Rotting Christ em Guaramirim/SC, em 2006, além de lançar o álbum “Bleeding in the Shades of Baphomet” pela Mutilation Productions, clássico do gênero no Brasil pelas excelentes composições, gravação e produção.

Pelo ano de 2007 e 2008, a Evilwar teve mudanças na formação (Nalliwnna guitarra, Eriphionna guitarra, D. Katharisno baixo, Lamferniis nos vocais e Ichthys Niger nabateria), lançando um split com os poloneses do Besatt e portugueses do Infernal Kingdom pela gravadora alemã Undercover Records. Infelizmente, em 2008, Ichthys Niger falece e o Evilwar chega ao final de suas atividades, com um show em homenagem ao fundador feito pelos ex-membros.

Aqueronte

“Aquerontiis Pabulum”, primeiro álbum da banda Aqueronte.

Aqueronte foi outra banda que originou-se na cena de Curitiba no final dos anos 1990, em especial em 1998. Xaphan é o membro fundador e único constante ao longo de toda a trajetória do grupo, o qual teve algumas mudanças de formação ao longo dos anos.

Atualmente, consiste em: Xaphan nas guitarras, Verberibus Necare (ex-Blackmass) na bateria, Nocturnal (Amen Corner) no baixo e Azrael nos vocais. A primeira demo foi intitulada “Mensageiros de Abadon”, de 2003, seguindo de um álbum ao vivo denominado “666 Anos de Massacre e Destruição”, em 2006, o split “Brazilian Evil Legions Attack” que teve participação de outra banda curitibana, o Pillars of Empire, além da demo “Império das Almas Profanas”, de 2009.

Em 2012, Aqueronte dá um passo mais longe e lança seu primeiro álbum, “Aquerontiis Pabulum”, pela Nyarlathotep Records. A sonoridade da banda consiste em um Black Metal rápido, relacionando-se com a vertente Raw, tanto na sonoridade quanto na estética. Na parte lírica, o ponto interessante é o uso do idioma português para constituir as letras, aproximando mais a banda de influências do Black Metal nacional.

Camos

Camos e o debut “Kaim 666”.

Após a saída de Sucoth Benoth do Amen Corner, ele constituiu uma nova banda, o Camos. Ao longo de sua história foram lançados três demos, como “Baal Zebuth Baal Beth Zebuth”, de 2000, “Lucifer in Aeternus Allelúia”, de 2006, “Black Metal Night”, de 2009, além de um EP chamada “Evil Supremacy”, de 2005.

O registro mais importante é, sem dúvidas, o álbum “Kaim 666” lançado pela Cogumelo Records, em 2009, com a respectiva formação: Sucoth Benoth nos vocais, Caos (Hecatomb, ex-Doomsday Ceremony) na guitarra, Destructor na guitarra, Ulysses (Hecatomb, Formulae, ex-Bedlam, ex-SteelLord) no baixo e Kellhammer na bateria. Entre as características mais marcantes da Camos está o fato de não ser uma banda de Black Metal convencional na sonoridade e nem na estética.

Musicalmente o som da Camos é muito influenciado pelo Heavy Metal clássico oitentista, NWOBHM, fazendo relações com elementos de música extrema, como os vocais, temas líricos, e construções de músicas e riffs.

Em breve, ato II

A partir dos próximos posts, outras bandas dos anos 2000 serão detalhadas. Enquanto isso, deixe um comentário e nos siga no Facebook e no Instagram.

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