[Black Metal em Curitiba] dos anos 1990 até a atualidade – Parte III: Anos 2000 (ato II)

Essa é quarta parte sobre o Black Metal em Curitiba. Confira também a primeira, segunda e terceira parte.

Doomsday Ceremony

A Doomsday Ceremony surgiu no ano de 2000 com a seguinte formação: Guilherme Medina (Archityrants, Hermetic Vastness, ex-Spirit Descent, ex-A Tribute to the Plague, ex-Devils & His Spells, Anubis, ex-Imperious Malevolence) nos vocais, Poyoka (ex-Hammerdown, ex-Infernal) na guitarra, Lokiam (Pillars of Empire, ex-Amen Corner) no baixo, Caos (Camos, Hecatomb) na guitarra e Cleverson (ex-Jailor, ex-A Tribute to the Plague) na bateria.

Segundo álbum do Doomsday Ceremony.

Seus trabalhos principais consistem em: demo autointitulada “Doomsday Ceremony”, de 2001, e dois álbuns, “Apocalyptic Celebration”, de 2005 e “Black Heart”, de 2015 – este lançado pela Cogumelo Records. Houveram mudanças desde a primeira demo, a qual possuía uma sonoridade Heavy/Doom, puxando elementos similares ao Mercyful Fate.

Posteriormente, ocorreu uma reformulação total de membros, som e imagem. Hoje, as peculiaridades da Doomsday Ceremony estão na sonoridade da banda, muito influenciada pelo Heavy Metal tradicional, porém com letras, estética e vocais típicos do Black Metal. O último álbum possui excelente trabalho de composição, possuindo até características progressivas no trabalho do guitarrista Ciriato (ex-Caifaz). O disco conta também com a participação de Renato Rieche (Division Hell, ex-Imperious Malevolence, ex-Legion of Hate) em alguns solos de guitarra.

Atualmente a banda está com a seguinte formação: Moloch (Insane Devotion, ex-Caifaz) no vocal, Ciriato (ex-Caifaz) e João Guimarães nas guitarras, Emerson Niederauer (ex-Bedlam, ex-Cirrhosis, ex-Juggernaut, ex-Terrorscream) no baixo e Giovanni Navarro na bateria.

Insane Devotion

Split Insane Devotion e Scorner.

Insane Devotion nasceu nos anos de 1990, passou por algumas formações ao longo do final dos anos de 1990, consolidando com Nahtaivel (Eternal Sorrow, Great Vast Forest, ex-Evilwar, Nahtaivel), A. Maurício Laube (Scorner, ex-Caifaz) e Moloch (Doomsday Ceremony, ex-Caifaz), desde 1998 até o presente. Outro membro de extrema importância foi Azarack (ex-Murder Rape, ex-Evilwar), que participou de 2000 até 2006.

A Insane Devotion é uma banda especial no que concerne análise sonora e estética. Começou fazendo shows junto ao lançamento do split “In Inferioribus Terrae”, com o Scorner, e depois tornou-se um projeto de estúdio. Ao analisar o álbum “Slaves Will Serve”, de 2006, percebe-se que as composições são complexas estruturalmente e até caóticas – tanto na formação de riffs quanto na combinação de elementos sinfônicos em conformidade com os outros instrumentos.

Também há elementos de heavy metal clássico nos solos, muito bem executados pelos dois guitarristas, o que caracteriza um Black Metal sinfônico bem composto e desenvolvido. Em 2015, foi lançado o álbum Infidel, continuando as características próprias, porém em uma abordagem mais tradicional comparado ao antecessor.

No caso estético, a Insane Devotion usava de imagem visual típica de Black Metal no final dos anos 1990 e início dos 2000, o que foi se modificando ao tornar-se uma banda de estúdio. Atualmente nenhum membro usa vestimenta com pregos ou corpse paint.

Lutemkrat

EP “Never Surrender” lançado em 2013.

Entre as bandas de Black Metal de Curitiba com maior influência da segunda onda de Black Metal, está a Lutemkrat. Uma one man band fundada por Wolf Lutemkrat (Offal, ex-Archityrants, ex-Cryptic Realms, ex-Axecuter) no ano de 2002, lançou o primeiro EP intitulado “Never Surrender”, em 2003. A forma de composição dos instrumentos, qualidade de gravação e vocais causam uma atmosfera fria, ríspida, típica das bandas escandinavas.

Outro ponto interessante é a bateria eletrônica, muito mecânica nos blast beats, o que proporciona maior atmosfera ao ser executada em músicas de tempo rápido. No caso do trabalho dos riffs, extensivo uso de tremolo, porém ainda limpo para um trabalho composto e mixado em um homestudio.

Em 2007, é lançado o álbum “The Last Survivor” pela Bleak Art Records. Há uma evolução notória na qualidade de composições e na gravação do material. Explorando características tanto melódicas quanto ao raw, o álbum possui progressões de tempos médios e rápidos constantes, bem escalonadas e fundamentadas.

A bateria eletrônica é uniforme, condizendo com a proposta de causar uma atmosfera fria, combinando com o vocal distorcido, o que compensa na exatidão da guitarra e baixo ao longo da mixagem. Estruturalmente, não existem quebras, as músicas possuem constância típica do gênero; o mesmo ao que concerne à qualidade das músicas, já que o álbum é muito intenso, nenhuma música sobressai sobre as outras neste quesito.

Por último, mas não menos importante, há partes bem trabalhadas de violão acústico na intro e outro, o que proporciona maior interesse no material como um todo. Na parte lírica, a banda possui maior proximidade com o Viking Metal, ao relatar temas como batalhas, honra, guerra e morte. Quanto ao visual, o Lutemkrat nunca teve uma imagem típica de banda de Black Metal, um exemplo é o não uso de Corpse Paint.

No ano de 2011, é lançado o EP “Visions from Dimensions Beyond Conception”, o qual existe clara evolução musical e comparada ao álbum de 2007. Neste lançamento, ocorreu o uso de uma bateria acústica real na gravação, uma mixagem muito mais limpa em todos os instrumentos e vocais.

Também melhorou estruturalmente pela maior complexidade das músicas e no uso de instrumentos. Na parte lírica, houve a abordagem de temas filosóficos. Por ter sido um lançamento digital, posteriormente foi lançado pela Mindscrape Music uma coletânea denominada “Circumscribed in a World of Senses” com as músicas desta EP juntamente às músicas bônus e da primeira demo.

Svartalfheim

“For Their Memories”, de 2007.

Em uma linha similar à Lutemkrat, a Svartalfheim consiste em uma one man band fundada por Hrothvitnir em 2005, com ajuda de alguns músicos temporários para realização de determinados instrumentos. Musicalmente, trata-se de uma banda muito influenciada pela sonoridade da segunda onda de Black Metal, com tremolo nos riffs, tempos médios e rápidos, sem uso de teclados, puxando para a vertente raw do gênero.

Uma das características principais são elementos de Folk Metal, muitas vezes utilizadas como quebras das estruturas musicais ou introduções. Liricamente, explora temas relacionados às batalhas e período medieval. Por mais que só tenha lançado uma demo ao longo de sua trajetória, intitulada “For Their Memories…”, de 2007, ela possui boa produção e mixagem, sendo um trabalho interessante de ser escutado e analisado por fãs deste tipo de Black Metal.

Schwarzwald

Material lançado em 2006.

Schwarzwald consiste em uma one man band fundada por Dickbäuchig (Blooddawn, Sarx Thanatos, ex-SonDamned), em 2003, que lançou uma demo denominada “Ehre der großen Krieger”, no ano de 2006.

Consiste em um Black Metal Raw, possuindo semelhanças com Darkthrone, Judas Iscariot, Moonblood, Satanic Warmaster, etc. A atmosfera desenvolvida com as músicas é áspera e suja, relacionando-se com o padrão lírico abordado nas músicas: ódio, destruição e guerra. No que concerne à produção: também é suja, mas possibilita ouvir bem os instrumentos, com tempos rápidos, repetições constantes de riffs e algumas alternâncias – neste entra o caso de Tiel III, com uso de baixo no meio da música. Estruturalmente, a demo possui músicas simples, mas entrega exatamente o proposto para uma sonoridade relacionada ao raw.

Em breve, ato III

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