THE KRYPTIK: “Expomos nossa arte em forma de música e blasfêmia”

Parece que o The Kryptik, mesmo sendo oriunda do Rio de Janeiro, ainda é uma banda pouco conhecida aqui no Brasil. Confesso que eu mesmo só fiquei a par das atividades recentemente, mas devo dizer que fiquei impressionado com a qualidade do material!

Sendo assim, resolvemos entrar em contato para saber um pouco mais sobre este excelente projeto de black metal atmosférico e melódico!


1. Saudações! Primeiramente, gostaríamos de agradecê-los pela entrevista. Vocês poderiam nos falar um pouco mais sobre o The Kryptik? Quem são os membros, como e quando surgiu?

Tormentor:  Saudações, Igor! A formação desde o início é, Felipe Tormentos – bateria e baixo, e Danilo Sinner – vocal e demais instrumentos.  Em 2008, tivemos que dar uma pausa com o Cryptic Lorn e, em 2013, decidimos voltar, mas com uma proposta diferente do Cryptic Lorn que era um som muito rápido, mudando para um som com a atmosfera sombria dos anos 90.

Depois de alguns ensaios em 2015, gravamos um single “From the Evil Paths” que foi divulgado na internet, mas não teve nenhuma repercussão. Em 2016 gravamos duas demos “Darkness Purging the Light e The Hordes Of Cain”.

Essa segunda não foi lançada nem divulgada na época, pois estávamos focando na gravação do debut. Finalmente, em 2017, lançamos o primeiro álbum “Through Infinity of Darkness” pelo selo Deathcamp Records. A formação atual ainda é Felipe Tormentos – bateria e baixo, e Danilo Sinner – vocal e demais instrumentos.


“Darkness Purging the Light / The Hordes of Cain”: coletânea com as duas demos lançada em CD no ano de 2019 pelo selo alemão Purity Through Fire.

2. Vocês têm, até o presente momento, dois álbuns lançados, além de 3 demo tapes. Fale-nos um pouco sobre esses lançamentos. Eles diferem entre si de alguma forma ou são, em sua essência, obras similares?

Tormentor: Em 2015 gravamos um single “From the Evil Paths” que foi nosso primeiro registro com o The Kryptik. Ele foi divulgado na internet, mas não teve nenhuma repercussão. 

Em 2016 gravamos a demo “Darkness Purging the Light”. Fizemos nós mesmos umas cópias em CD-r, mas nem zines nem distros demonstraram interesse em receber a demo. Então, a Deathcamp Rec. perguntou se poderia lançá-la em formato digital no bandcamp da gravadora, e claro que concordamos.

Já “The Hordes Of Cain”, essa segunda não foi lançada nem divulgada na época, pois estávamos focando na gravação do debut.

Em 2017, lançamos o primeiro álbum “Through Infinity of Darkness” pelo selo Deathcamp Records, e em versão tape e vinil na Europa em 2018. Agora, em 2019, também foi lançado na Europa a versão em CD, com capa nova e uma música bônus .

Também em 2019, a Purity Through Fire lançou nossas duas demos juntas em CD, “Darkness Purging the Light e The Hordes Of Cain”.

E, por último, o novo álbum “When the Shadows Rise”  foi o que dedicamos mais tempo e trabalho, pois havia aquele peso nas costas de ser o sucessor de um álbum que não foi muito divulgado aqui no Brasil, mas que teve uma boa repercussão na Europa.


3. Qual é o tipo de mensagem que o The Krytik tenta passar com suas músicas e letras?

Tormentor: Nossas letras são dedicadas à blasfêmia, expondo nossa visão sobre como o cristianismo é medíocre e hipócrita.


4. O mais novo lançamento de vocês, “When Shadows Rise”, foi lançado pela gravadora alemã Purity Through Fire. Como surgiu essa oportunidade? 

Tormentor: Na verdade, quem fez o primeiro contato foi a Deathcamp. Eles conseguiram o lançamento do primeiro álbum “Through Infinity of Darkness” (versão em tape), que foi lançada em parceria entre os selos Purity Through Fire e Worship Tapes

Alguns meses depois, também conseguiu uma versão em LP com mais uma parceria entre os selos  Purity Through Fire e Neue Aesthetik. Aí, surgiu o contato da Purity Through Fire para lançar a versão em CD do primeiro álbum “Through Infinity of Darkness”. 

Conversamos com o selo, que já tinha um álbum quase pronto “When Shadows Rise”, então, ele decidiu lançar o disco novo e uma versão europeia do primeiro álbum “Through Infinity of Darkness”.


5. Na minha opinião, o som da banda remete muito à banda Emperor da época pré-“In The Nightside Eclipse”, apesar de ainda ter uma identidade própria. Estou certo em assumir que os noruegueses são uma grande influência pra vocês ou vocês se inspiraram em outras hordas? Essa sonoridade surgiu de uma forma natural ou era o objetivo de vocês desde o princípio?

Tormentor: Influência, sim. Quem não gosta das bandas norueguesas dos anos 90? Mas não foi proposital

Não tínhamos intenção de ter tantas partes de teclado. Na demo, acabamos incluindo teclado nas músicas para criar uma atmosfera mais sombria. Já no primeiro disco, “Through Infinity of Darkness” também foi como uma continuação da demo

Agora, em “When Shadows Rise”, decidimos trabalhar um pouco mais, acabou que as pessoas se impressionaram mais com as partes de teclado, mas o disco tem um puta trabalho de guitarra.


6. Apesar de terem acabado de lançar um álbum, vocês já tem planos para o futuro? Vocês têm planos de investir mais na divulgação da banda aqui no Brasil?

Tormentor: Se tudo correr como o planejado, em 2020 deve rolar um EP e um disco novo, mas só vamos começar trabalhar nisso no próximo ano.

Planos para lançar algo novo ou relançar o disco aqui, temos, sim. Mas, temos que dar um tempo, pois a PTF investiu muito tempo e dinheiro divulgando o TK lá fora, e ele tem que vender alguma coisa antes de alguém lançar aqui no Brasil.


7. Sendo uma banda do Rio de Janeiro, vocês acreditam que o lugar onde moram influencia vocês de alguma forma e consequentemente na construção do The Kryptik?

Tormentor: Não acho que a geografia influenciaria no som de uma banda. A única coisa sobre o Rio de Janeiro que tivemos de influência são as bandas mais antigas, como Nocturnal Worshipper, Unearthly, Songe d’Enfer, Mysteriis e outras muitas.


8. O que vocês acham do underground brasileiro, em especial no que diz respeito à cena black metal?

Tormentor: O Brasil é um país grande, falando geograficamente. Temos uma cena black metal grande, provavelmente maior do que muitos países europeus. 

E, como qualquer outra cena mundial, tem gente levando a coisa para o lado profissional. Quando digo ‘profissional’, não se refere somente em ter grana investida, mas, sim, seriedade no que se faz. Bandas vão melhorando para ter um equipamento legal, gravação em estúdios melhores, tudo isso querendo oferecer um material de qualidade

Nós sabemos que o Brasil não tem uma situação econômica muito boa, mas eu não entendo muito o cara não ter R$ 20,00 para comprar um CD nacional, mas tem R$ 200,00 pra comprar um vinil importado.

Nós recebemos nossas cópias do novo disco essa semana. Fomos taxados em quase R$ 2.000,00, e tem um monte de gente pedindo CD de graça. Já ouvi até reclamações que estamos vendendo os CDs por muito caro
Então, além de as bandas, zines, selos e produtores procurarem fazer o melhor, o pessoal que vive reclamando, não compra CD, não vai para show e ainda fica influenciando os outros.


9. Que bandas do cenário nacional vocês se interessam ou gostam?

Tormentor: Cara, tem muita banda boa! Acho que no final dos anos 90 e inícios dos anos 2000 surgiu muita coisa boa aqui no Brasil. Eu destacaria as que estão com uma bagagem maior, como o Amen Corner, Grave Desecrator, Miasthenia e Power From Hell, que já estão na cena há bastante tempo.


10. E bandas internacionais? Vocês se interessam por bandas novas e mais underground ou costumam ouvir mais as bandas clássicas mesmo?

Tormentor: Bom, eu escuto bastante os discos clássicos mesmo, mas sempre procuro alguma coisa nova. Eu tenho ouvido muito Mgla, Batushka e o novo trabalho do Power From Hell, “Profound Evil Presence”. Esse disco merece atenção!


11. O The Kryptik é uma banda satanista? Qual é a sua visão de mundo? Vocês se interessam por filosofia, ocultismo e assuntos relacionados?

Tormentor: Não rotularia satanista. Não gosto de rótulos. Nós expomos nossa arte em forma de música e blasfêmia. Visão do mundo? Eu vivo no mundo que criei para mim. Não sigo dogmas, nem nada que a sociedade impõe para os seus fiéis. Nem mesmo, dentro do metal, não me relaciono muito bem com as pessoas. Acho que em tudo que você se envolve tem muitas pessoas, que acabam criando regras, e eu sempre acabo me afastando de tudo, mas vivo muito bem assim.


12. Viktor Frankl, um psiquiatra austríaco, acreditava que o ser humano precisa de um sentido para continuar vivendo, e sempre perguntava aos seus pacientes algo do tipo “o que te impede de acabar com a própria vida hoje mesmo”? Como vocês respoderiam a essa pergunta?

Tormentor: Isso é um fato. O ser humano é fraco. Acredita em alguma coisa superior que vai salvar ele depois da morte, vai para uma floresta encantada, paraíso, etc. Aquele velho conto de fadas que o cristão prega.  

Em relação à pergunta “o que te impede de acabar com a própria vida hoje mesmo”, nada impede que uma pessoa cometa suicídio, principalmente um paciente que está se tratando com um psiquiatra, rsrs.

Mas, acho que a depressão mundial está sendo criada por as pessoas criarem muitas expectativas em coisas banais, como, por exemplo, ter um iPhone, um CD importado ou um carro x ou y, entende?! 

O cara podia ser feliz com outro telefone que não seja o da maçã mordida, ou comprar a versão nacional do CD que ficaria bem mais barato. Então, a concepção de procurar a felicidade ou o bem em coisas materiais ou rótulos está deixando o mundo doente em busca status.


13. Agradecemos a oportunidade e deixamos este espaço livre para que comentem o que quiserem.

Tormentor: Nós que agradecemos o espaço, e parabéns pelo belo trabalho de vocês! Espero que as pessoas envolvidas no metal tomem vocês como exemplo de profissionalismo.


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